Golias e Messias, documentário de 45 minutos focado na paixão pelos discos em vinil, os
bolachões, com época de ouro entre os anos 30 e 70, foi exibido ontem (21-08-09) no Cineclube Metrópolis, na UFES, em Vitória-ES.
SEM apoio financeiro oficial e custo de 12 mil reais bancado a duras penas pelo próprio autor,
Golias e Messias tem roteiro, direção, câmera e depoimentos tomados por Marcos Veronese. Uma obra preciosa que emocionou os que enfrentaram noite chuvosa e fria para desfrutar do privilégio de assistir à apresentação, com momentos como alguns a seguir.
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Entre as várias declarações do Golias (Valter Viera da Silva), uma que registra as visitas, antigamente, de cantores e instrumentistas renomados do Brasil e exterior até sua loja
- Golias... - para pedir uma “forcinha” na vendagem dos
seus discos.
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Messias (Manoel Messias de Araújo), o dono da outra cultuada casa de
bolachões de Vitória, reitera, embevecido, sua admiração absoluta por
Bob Dylan;
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Marien Calixte, amante e divulgador incondicional de
jazz, conta da surpresa de
David Brubeck ao encontrar,
na casa do jornalista, exemplar de um antigo LP que o próprio
Brubeck NÃO possuía nem conseguia encontrar. Com firmeza e elegância, Marien adiantou pro semi-deus do
jazz que
não se desfaria da peça. Ganhou, na hora, na capa da obra, exibida na tela, uma bela dedicatória do
Brubeck.
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Ester Mazzi fala da Rádio Espírito Santo, do apresentador Jairo Maia e, com especial ternura, sobre Aprígio Lírio, refinado talento musical capixaba dos anos 70, morto muito jovem sem ter gravado um só compacto, LP ou CD.
Milson Henriques também comenta sobre Aprígio.
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Luiz Paixão, profundo conhecedor de bossa-nova e
jazz, no curta de Marcos mostra, entre outras preciosidades suas, um raríssimo exemplar do LP com a composição
“Brasília - Sinfonia da Alvorada”, encomendada
a Vinicius e Tom por Juscelino Kubitschek para a inauguração de Brasília (!). A capa desse
bolachão tem desenhos, é de babar, do Oscar Niemeyer.
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Golias e Messias presta justa homenagem ao violonista Maurício de Oliveira, que atingiu fama nacional e internacional com o virtuosismo das suas execuções. Maurício nasceu numa vila de pescadores em Vitória - seu pai era pescador - e cresceu numa família onde
“todo mundo tocava alguma coisa.”O Maurício que estruturou, opina Veronese, a base da música instrumental capixaba, diz no documentário:
- Não fiz o que fiz por mim. Toda minha luta, dedicação, esforço, estudos e esmero nas apresentações foram em respeito ao próprio violão, um instrumento magnífico e, para mim, uma razão de viver.Marcos Veronese pretende transformar
Golias e Messias num longa para exibição em circuito comercial.
Por ora, o documentário será, segundo Marcos, apresentado pela TVES no
"Curta Vídeo" e, “em setembro” na
“5ª Mostra ABD - Associação Brasileira de Documentaristas.”
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